N.º 10 (5)
Ao se pensar na filosofia – num contexto em que o mundo atravessa a mundialização e tudo o que daí advêm – fomos chamados no ano de 2010 a re-pensar sobre o papel da filosofia na sua dimensão social ao nível da CPLP. Atendendo ao facto de que a esfera social da nossa era perpassa os limites do global, vimo-nos interpelados à redimensionar o nosso olhar filosófico a uma abordagem intercultural, onde países como Angola, Brasil, Portugal, Moçambique, entre outros – irmãos – têm a “obrigação” de fixarem os seus discursos teóricos e filosóficos, sobre a nossa realidade social.
O que se tornou interessante na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Pedagógica de Moçambique, foi ter-se tido a iniciativa de olhar a filosofia como um instrumento, que não só constrói os alicerces das “empresas utópicas” para fazer valer as verdades do amanha, mas sobretudo, o interesse de pensar-se num debate filosófico que no mesmo instante que vai construindo a história do futuro, se preocupa também em fazer respostas imediatas aos problemas presentes do nosso caminhar existencial. Aliás, não foi por acaso que o Lema do Congresso de Filosofia de 2010 foi: Filosofia e Metamorfoses Sociais na CPLP.
A Revista Síntese número 10 preservará a estrutura e o formato do número anterior, que foi marcado por algumas alterações aquando da constituição de um renovado grupo de trabalho, desde a direcção da Revista, a constituição dos comité e conselho editoriais, entre outros aspectos. Porém, contamos com a colaboração do Professor Bento Rupia, em função de ter regressado do Brasil, no contexto do doutoramento que estava a realizar naquele país. Aliás, com a sua presença, a revista passou a fazer parte do Centro de Pesquisa da Faculdade de Ciências Sociais (CEPCIS) que ele é digno dirigente.
Pelo facto deste número fazer parte de uma edição especial da Revista Síntese, no contexto da publicação dos artigos apresentados no Congresso Internacional de Filosofia organizado pelo Departamento de Filosofia em 2010, não trazemos desta vez as recensões cuja inovação foi pensada a partir do número anterior. Esperamos que os presentes textos possam constituir-se em mais um instrumento do nosso repertório teórico-filosófico para um exercício melhorado do nosso pensar- social glocal de um Moçambique demarcado pelas fronteiras da CPLP e do mundo.